Entre Pergaminhos e Tesouros – VI

Publicação: 29 de maio de 2011

Rio de Janeiro, tarde de 27 de dezembro de 1875.

Enfim me decidi, estou na varanda de cara esperando que o senhor Gwalch apareça. Pronta para ir com ele encontrar com o professor Novaes e seus fragmentos de pergaminho. Trago nas mãos um exemplar de 20.000 Léguas Submarinas para tentar passar o tempo, mas mal corro os olhos por um parágrafo torno a olhar para a rua a procura do senhor Gwalch, temo que ele não torne a aparecer por ter dito que os lenços eram obra de Helena.

E as páginas se vão, um capítulo após o outro, numa espera que parece não ter fim, mal me empolgo na descrição que Verne faz de seu Capitão Nemo ou com sobre os detalhes de seu submarino anfíbio.

Enquanto o tempo passava perguntava-me se tinha sido correto dizer que não fora idéia minha colocar os lenços, ele poderia ter tomado aquilo como um não e simplesmente não aparecer mais.

Estava preocupada, provavelmente seu patrão ralharia com ele por voltar sem ajuda, e se por acaso ele perdesse o emprego por causa disso? Quero ajudá-lo, mas a única pista que tenho é que estão hospedados próximos ao jardim botânico.

– Chega de ficar aqui me lamentando.

Vou ao meu quarto pelo uma bolsa e atiro meu livro dentro dela, junto com meu caderninho, canetas e algum dinheiro.

– Mãe, vou ao Jardim Botânico.

– Está bem querida apenas não demore demais.

Antes de sair dou uma última olhada em minha sacada, o lenço continua firmemente amarrado a ela. Ponho um chapéu e me vou.

Para minha sorte o bonde não demora muito a passar. Porém ao subir nele ouço além chamar-me.

– Senhorita Oliveira!

Ergo o olhar tentando descobrir que me chamava. Olho para um lado e para o outro e então vejo na calçada o senhor Gwalch que acabara de descer daquele mesmo bonde. Tento descer mas o vagão começa a mover-se,  Diego por sua vez passa a correr ao lado do vagão, com uma das mão agarra a barra ao lado da escada e prepara-se para pular assim que for possível. Vou até a entrada do bonde.

– Venha segure minha mão!

– Se eu fizer isso acabaremos caindo os dois.

O bonde então faz uma curva fechada que acaba ajudando a impulsioná-lo para dentro. Tento ampará-lo, mas ele tinha razão, tudo o que consegui foi que ele caísse por sobre mim, ao menos caímos dentro do bonde. Enquanto levantamos pergunto:

– Senhor Gwalch, o que faz por aqui?

– Eu é que vos pergunto senhorita Oliveira? Por acaso está fugindo de mim?

– Pelo contrário, tentava encontrá-lo.

Ele faz uma expressão um tanto perplexa.

– Como? E ainda mais importante que isso, por quê?

– Por que temia que houvesses tomado a brincadeira de minha irmã como sinal de uma recusa minha. Temi que não fosse voltar a vê-lo e estava preocupada convosco. Sabia que estavam hospedados próximos ao Jardim Botânico então pretendia tentar a sorte para encontrá-los por lá.

– Fico lisonjeado, foi realmente muito gentil de sua parte senhorita Oliveira.

– Não é nada meu caro, mas diga-me, que tipo de pessoa é o senhor Novaes?

– Ele é muito exigente e perfeccionista, quase não enxerga e ultimamente anda muito frustrado por não conseguir traduzir sozinho os fragmentos do pergaminho.

– O conhece há muito tempo?

– Há muitos anos, durante os anos prósperos ele foi meu preceptor, mas quando uma mão ruim no poker arrasou as finanças de meu pai, ele resolveu contratar-me como assistente em suas pesquisas.

– O que ele costuma pesquisar?

– Eu diria que o senhor Novaes é um filosofo, a temáticas aparentemente sem valor algum nas quais ele debruçasse por horas apenas para conhecer mais sobre o assunto. Ele acredita conceito davinciano de homem universal, e parece quer aprender sobre tudo. Ultimamente tem se interessado nos escritos do Dr. Freud a respeito da psicanálise.

– Acho que li algo a respeito dele num periódico estrangeiro que chegou a biblioteca.

– Estamos próximos, é melhor irmos em direção a saída.

Descemos do bonde, caminhamos por uma rua bem arborizada, e por fim paramos diante de um casarão com detalhes em art noveau.

– Chegamos.

Para ler o capítulo anterior clique aqui.



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3 Respostas para
     “Entre Pergaminhos e Tesouros – VI”

  • Ronaldo Santana da Silva disse: 29 de maio de 2011

    Lido, mas sem comentários. por hora, só vou acompanhar! 😉

  • Marcos disse: 29 de maio de 2012

    O ponto de vista é interessante: a jovem adolescente curiosa e inquiridora e mistérios por resolver sob um ambiente, ou assim o acredito, steampunk? Ou, como mais propriamente o batizou Antônio Luiz Monteiro Coelho da Costa: Tupinipunk. Merece continuação.

  • Cactus disse: 29 de maio de 2012

    Perecft shot! Thanks for your post!

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