SteamWest – I – Nina

Publicação: 19 de junho de 2011

Deviam ser por volta das dezesseis horas quando o trem parou na última estação, todos os passageiros desembarcaram, alguns saíram apresados, outros esperaram um pouco por alguém, parentes ou talvez amigos, que os deveriam encontrar ali. Os homens de negócios apenas levantavam ligeiramente o chapéu ao se depararem com seus sócios, familiares e amigos próximos corriam para abraçar os recém chegados. Aos poucos o barulho foi diminuindo e restou apenas um cavalheiro de pé ao lado de sua maleta de couro na plataforma de desembarque que nervosamente olha para os dois lados a espera de alguém, então as suas costas ele nota o som de um gaita.

Voltando-se na direção do som ele vê sentada sobre um vagão de carga uma mocinha que distraidamente toca com os olhos fechados concentrada apenas em sua música, ela não devia ter mais de 15 anos o sol que se punha às suas costas permitia que ele apenas vislumbra-se sua silhueta e tornava reluzente o metal da pistola que ela levava presa a coxa. Ele aproxima-se dela.

– Boa tarde, sabe onde eu posso encontrar o senhor Von Dunst?

Ela então abre os olhos e para de tocar. – Como disse?

– Me disseram que eu deveria procurar por Von Dunst quando chegasse, você o conhece?

A jovem esconde um sorriso com a mão, guarda a gaita em seu decote e pula do vagão caindo de pé diante dele. – Ela até que é bem alta para sua idade – pensa ele. Sem dizer uma palavra ela o olha de cima a baixo como se o estivesse analisando. Então parando bem diante do rosto dele encarando-o pergunta: – John Strauss?

– Sim, o senhor Von Dunst mandou você?

– Na verdade não.

– Que guia foi esse que a companhia foi me arrumar? Me deram referências tão boas dele e Von Dunst se quer se digna a vir me buscar na estação, mas diga-me se ele não mandou você como sabe o meu nome?

– A Companhia de Desenvolvimento Férreo me deu seu nome e sua descrição quando me contratou. – Ela estende a mão para ele. – Prazer em conhece-lo senhor Strauss, sou Nina Haven Von Dunst.

O senhor Strauss parece chocado. Aquela menina seria sua guia? Sua segurança? Sim, ela tinha uma arma, mas só isso seria o suficiente contra os peles vermelhas ou contra os assaltantes de diligências? Ela era o lendário Ghost von Dunst? Ele demora alguns segundos para apertar a mão que ela deixara no ar.

– Como assim, você é o Fantasma da Neblina do qual ouvi falar?

– Uhum. – Acena ela com a cabeça. – Nossa, já se comenta sobre isso lá na capital?

– Sim, os boatos são verdadeiros?

– Acho que maioria deles. Podemos ir agora?

Ele apenas assente com a cabeça pensando em como isso pode ser verdade ou se os boatos eram de fato verdadeiros. Nina então pega a maleta dele e sai andando em direção a saída da estação.

– Dê-me isto senhorita, é muito pesado para alguém de sua idade, tanto peso pode lhe fazer mau.

– Obrigada pela preocupação mas estou acostumada a lhe dar com peso, mas só por curiosidade, diga-me quantos anos acha que tenho?

– Quinze talvez dezesseis, você já é bem alta, então talvez eu esteja enganado.

Ela sorri. – Incrível como ninguém consegue acertar, tenho vinte dois anos. Venha que nosso transporte nos aguarda.

Mais adiante ele vê um veículo estranho com dois acentos e três rodas, logo atrás dos acentos há uma caldeira grande e barulhenta que mais parece um velho fogão. Ele é acionado com o puxar de uma correia usando o sistema de ignição de um velho barco de pesca, então entre estalos e baforadas de vapor eles partem em direção a cidade.

Mas antes de subirem ela entrega um par de goggles a ele e avisa: – É melhor colocar isso e tirar o chapéu se não quiser perdê-lo. – E Nina tinha razão, apesar de barulhenta a máquina corria muito bem, fazendo com que os cabelos deles fossem açoitados pelo vento, embora eles mal pudessem ouvir o que o outro estava falando, por isso foram conversando aos gritos  durante todo caminho.

– O QUE VOCÊ FAZ?

– SOU ENGENHEIRO.

– O QUE VEIO FAZER POR AQUI?

– TRABALHAR NA CONTINUAÇÃO DA FERROVIA, VAMOS FAZER UMA NOVA ESTAÇÃO.

– AH, CERTO.

– FAZ MUITO TEMPO QUE VOCÊ TRABALHA COMO GUIA?

– UNS CINCO ANOS.

– É UM TRABALHO MUITO DIFÍCIL?

– NA VERDADE NÃO, MAS CADA VIAGEM É IMPREVISÍVEL, NUNCA SE SABE O QUE VAI APARECER PELO CAMINHO.

– SÓ POR CURIOSIDADE QUE TIPO DE COISA JÁ ACONTECEU?

– UM POUCO DE TUDO: COIOTES, ÍNDIOS, LADRÕES, CASCAVÉIS… NADA DEMAIS.

– SE ISSO NÃO É NADA DEMAIS PARA VOCÊ TENHO MEDO DA SITUAÇÃO EM QUE VOCÊ ACHAR QUE ESTÁ ENCRENCADA.

– HUHUHU. NÃO SE PREOCUPE COM ISSO. A PROPÓSITO,  já chegamos. – Diz desligando o motor.



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2 Respostas para
     “SteamWest – I – Nina”

  • Ronaldo Santana da Silva disse: 19 de junho de 2011

    Achei o encontro meio estranho, pq ele foi falar com ela afinal, se nada se parecia com seu guia? Não chega a estragar a cena, mas acho que você podia ter feito diferente, sei lá!

  • Luana Nascimento disse: 19 de junho de 2011

    Ele não sabia como o tal guia seria, e na cabeça dele alguém com a alcunha de Fantasma da Neblina provavelmente seria um homem.

    Ailleurs, não havia mais ninguém por ali, então, se não fosse ela, significaria que ele havia levado um belo bolo.

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