SteamWest – II – Nick

Publicação: 29 de junho de 2011

Eles param diante de um galpão estreito, com uma fachada bem alta, que dava a entender que lá dentro provavelmente havia um primeiro andar. Nina empurra a porta que faz soar uma sineta lá dentro e convida o senhor Strauss, que ainda livrava-se da poeira da viagem, para entrar. Lá dentro há uma oficina mecânica com vários veículos enfileirados, alguns inacabados, outros prontos para a entrega e várias peças cheias de graxa espalhadas pelo chão.

– Nick? Cadê você?

– Aqui! – E deslizando deitado num carrinho que  surge saido debaixo um grande a montado de metal surge um homem com uma máscara de solda e um maçarico na mão. Ele era ligeiramente mais alto que a garota e seu cabelo era bem loiro, enquanto o dela era mais avermelhado. Ele pousa o maçarico no monte de metal que mais parecia um protótipo de tanque de guerra do que qualquer outra coisa e logo em seguida levanta sua máscara e bate ligeiramente a mão coberta de fuligem antes de comprimentar o Sr. Strauss.

– Nicholas Mount Von Dunst.

– John Wise Strauss – responde ele pensando em quanto se sentiria mais seguro se fosse ele e não a garota que fosse guia-lo.

– Então Nick já terminou com a manutenção dos monociclos?

– Estão calibrados e prontos para partir.

– Perfeito, já arrumou suas coisas? Pegou rações de emergência?

– Estamos prontos, é só você dar o sinal.

– Vou pegar minhas coisas e sairemos num instante.

Ela sobe as escadas e vai ao mezanino da oficina onde ficavam os dormitórios deles. Nick então tenta puxar conversa com o Sr. Strauss.

– Gosta de máquinas potentes?

– De algumas, mas nada que faça muito barulho. Gostaria de saber por que motores potentes são barulhentos.

– De maneira alguma, não é barulho é música. Cada motor compõe sua própria sinfonia, é como se fosse sua assinatura, quando se trabalha nisso a muito tempo a fácil descobrir o tipo do motor e qual o problema que ele tem apenas pelo som.

– Já está nesse ramo a muito tempo?

– Desde os onze, comecei como aprendiz numa oficina a algumas quadras daqui, mas essa loja aqui fará dois anos em poucos meses, a comprei quando fiz dezesseis.

– Então você é mais novo que a senhorita?

– Não pareço nem um pouco ser irmão mais novo dela não é mesmo?

– É verdade.

– Ela não envelheceu nem um pouco desde aquele dia. – Diz ele baixinho para si mesmo.

– Como disse?

– Nada.

– Senhores estou pronta! Vamos! – Diz Nina descendo as escadas.

Seu visual que é bem mais intimidador do que o que usava quando apresentou-se na estação. Um lenço no pescoço que deixava seu decote mais discreto, um coldre com duas armas presas a mesma altura de seus seios, um espartilho bege semi-encoberto por outro coldre com mais duas armas a altura de sua cintura, uma minissaia que deixava aparecer as ligas de suas meias e a arma que trazia presa a coxa direita e uma faca que levava presa a panturrilha esquerda ligeiramente acima da altura das botas.

O Sr. Strauss a olha de cima a baixo e pensa: – é realmente, talvez ela seja mesmo boa como guia, pelo menos eu não tentaria mexer com ela vestida como está. Resta saber se isso é só enfeite ou se ela realmente sabe como usa-las.

Nina então vai andando até a entrada da loja e puxa o lençol que cobria três máquinas, eram os tais monociclos dos quais ela havia perguntado mais cedo, um veículo de aerodinâmica bem incomum.  A começar por sua unica roda com quase 30 centímetros de largura, ou pelo motor localizado na parte de trás da máquina que tinha de altura mais da metade do diâmetro da roda, ou pelos pedais que mais lembravam os apoios de uma cela, ou ainda pelo eixo dobrável que permitia guiar aquela coisa.

– Já andou a cavalo Sr. Strauss?

– Certamente senhorita.

– Perfeito, então em pouco tempo vai se acostumar com a invenção do meu irmão. Mas tenha cuidado, se não conduzi-lo corretamente pode ser tão arrisco quanto um potro chucro.

– Lembrarei disso.

– Bem, vamos, viajando a noite é mais difícil que nos notem.

Então ela sai empurrando um dos monociclos em direção a rua. E com a cabeça acena para que os rapazes façam o mesmo. Já na rua ela espera que Nick tranque  a loja para então dar os últimos conselhos ao Sr. Strauss.

– Primeiro de tudo, és destro ou canhoto?

– Canhoto.

– Ok, então coloque seu pé direito no apoio, dê corda aqui, e quando ouvir o ronco do motor empurre isto ligeiramente para frente,  e tire o pé esquerdo do chão, mas empurre levemente ou então você vai disparar.

Dados os conselhos Nina vai em direção ao seu transporte, quando as suas costas ouve o som explosivo de um motor arrancando com tudo que tem.  Ela pula em seu monociclo e dispara atrás dele com Nicholas a seguindo de perto. Quando Nina finalmente está perto o bastante para ser ouvida por ele começa a gritar instruções:

– EU DISSE LEVEMENTE. AGORA BEM DEVAGAR PUXE O MANCH PARA TRÁS QUE ISSO VAI DIMINUIR SUA VELOCIDADE. ENTENDEU?

– SIM.

– ENTÃO FAÇA O QUE EU FALEI.

Quando o Sr. Strauss começa a puxar as irregularidades do terreno fazem com que ele acabe dando um tranco mais forte e seja arremessado do monociclo. Nina para bem perto dele e diz:

– Eu avisei, tão bravo quanto um potro chucro, capaz de quase tudo que um de verdade consegue fazer.

– Eu notei. – Diz ele constrangido.

Ela então estende a mão para o rapaz levante-se. E após alguns segundos dele batendo a poeira de suas vestes eles voltam a estrada, dessa vez redobrando o cuidado, eles rumam em direção ao poente.

Para ler o primeiro capítulo clique aqui.



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